Texto Introdutório de Pedro Novo
A reedição de “A Cidade como Arquitectura” é para a Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo um momento importante, ao assinalar em 2025, o 90.º aniversário de Nuno Portas, figura de referência na arquitetura portuguesa e no pensamento urbanístico. Esta iniciativa resulta do protocolo de cooperação firmado em 2024, entre a editora Livros Horizonte e a Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos, refletindo o compromisso partilhado com a difusão do pensamento crítico sobre a arquitetura e o urbanismo em Portugal.
Obra incontornável do arquiteto Nuno Portas, originalmente publicada em 1969, é uma justa homenagem ao seu vasto legado intelectual e à sua influência nas várias gerações de arquitetos e urbanistas consequentes, graças a uma visão profundamente interdisciplinar e em certa medida, inovadora.
Publicado num período de intensas transformações sociais e culturais, “A Cidade como Arquitectura” destaca-se pela abordagem pioneira da cidade enquanto construção coletiva, profundamente integrada em dinâmicas sociais, económicas e políticas. Obra enriquecida pelo prefácio de Fernando Távora, outro nome maior no panorama da Arquitectura portuguesa, reflete sobretudo uma perspetiva que transcende a arquitetura como prática isolada, ligando-a às questões estruturais da sociedade e às formas como os espaços urbanos influenciam e são controlados pelo habitar dos cidadãos.
A Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos orgulha-se de se associar a esta iniciativa, reforçando o compromisso com a promoção de um debate informado e crítico sobre o papel da Arquitetura. Esta obra não é apenas uma homenagem ao passado, mas também um convite à análise e à reflexão sobre o presente e consequentemente perspetivar o futuro das cidades, que continuam a ser o palco privilegiado da vida coletiva. Ao celebrarmos o aniversário dos 90 anos do arquiteto Nuno Portas, a Ordem dos Arquitectos reafirma o impacto das suas ações em diversas gerações e permitirá alavancar a sua relevância nas gerações futuras. Que “A Cidade como Arquitectura” inspire novos olhares sobre a cidade e sobre o papel transformador da Arquitetura, enquanto prática de uma profunda dimensão ética.

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